Bahia elege candidatos aliados, mas também um notório homofóbico

COMUNICAÇÃO/FÓRUM BAIANO LGBT
Da Redação

Candidatos eleitos a governador e senadores tiveram campanha LGBT, com promessas que podem - e devem - ser cobradas
O movimento LGBT da Bahia ainda está fazendo as contas para saber se o resultado das eleições de 2010 é favorável ao avanço dos direitos e promoção da diversidade. Ao longo da campanha, o blog do Fórum Baiano LGBT apresentou ampla cobertura das eleições, e as matérias produzidas pela redação sobre a campanha estadual estão entre as mais lidas e reproduzidas em outros sítios na internet. É possível, portanto, ajudar na avaliação apresentando as promessas de campanha e o resultado das eleições proporcionais.
A reeleição do governador Jacques Wagner (PT) permite à comunidade LGBT a cobrança dos compromissos assumidos em documento divulgado pela campanha. Wagner assinou o termo da ABGLT e divulgou material específico para a comunidade LGBT. O governador será cobrado, principalmente, através do Comitê Estadual LGBT, que entraria em funcionamento após as eleições, segundo a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos.
Os senadores eleitos, Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB) também divulgaram material de campanha para o segmento LGBT. No material, Pinheiro e Lídice comprometem-se a “garantir a discussão” acerca da união civil de casais do mesmo sexo, adoções por famílias homoafetivas e “mudança de nome” de “transgêneros”. O documento é assinado por um certo “Movimento da Cor do Próximo, e não pelos então candidatos ao Senado. Mas a reprodução do material foi de responsabilidade da campanha, e foi distribuído pela campanha LGBT do PT. É possível, portanto, cobrar do senador e da senadora eleitos neste domingo 3.
Aliados na Câmara Federal e na Assembléia LegislativaNa Câmara, a eleição de dois candidatos que assinaram o termo de compromisso da ABGLT pode ser um bom sinal. Nelson Pelegrino (PT) fundou o Núcleo de Direitos Humanos em Vitória da Conquista e instituiu o Comitê LGBT do Estado, quando foi secretário de Justiça, Cidadania e Direito Humanos. Valmir Assunção (PT) é mais ostensivo na defesa da comunidade LGBT: instituiu o reconhecimento do nome social na rede de assistência social do estado, quando Secretário de Desenvolvimento Social, e apresentou projeto de igual teor para a Assembléia Legislativa.
Surpresa das eleições e novidade na Assembléia Legislativa da Bahia (ALBA), o deputado estadual eleito Marcelino Galo (PT) talvez possa representar um avanço para a comunidade LGBT na Assembléia Legislativa. Ele assinou o termo de compromisso da ABGLT junto a Bira Corôa (PT), reeleito, e Maria Del Carmen (PT), de volta à ALBA.
Bancada evangélica cresceEm uma eleição para presidente onde o conservadorismo foi o primeiro vencedor, temas como aborto e casamento de pessoas do mesmo sexo encontraram forte oposição do eleitorado evangélico. Os especialistas apontaram esses temas como fundamentais para forçar um segundo turno entre a candidata do PT, Dilma Rousseff (na foto), e o candidato José Serra (PSDB), com a transferência de votos da primeira em especial para Marina Silva (PV) devido à uma campanha poderosa de segmentos evangélicos.
Os evangélicos engordaram suas bancadas em todo o país, e na Bahia não foi diferente. O deputado federal Márcio Marinho (PRB), e os estaduais Sidelvan Nóbrega (PRB) e Maria Luiza Carneiro (PSC) estão nessa lista. O PRB, ligado à Igreja Universal, é da base aliada ao Governador Jacques Wagner. A avaliação do movimento LGBT indica, no entanto, que a ausência de leis aprovadas na Bahia para a comunidade não é fruto da oposição evangélica, mas principalmente da letargia da casa e da ausência de aliados fortalecidos.
A situação pode mudar agora – para pior. Foi eleito deputado estadual o Pastor Sargento Isidorio pelo PSB. Isidório é reconhecido por posições retrógradas: deputado estadual pelo PT em 2005, ganhou notoriedade nacional ao descrever um exame de próstata na Tribuna e afirmar, contrário ao ato médico, que ele tirava a “masculinidade do homem”. O deputado chegou a defender que o Sistema Único de Saúde destinasse leitos hospitalares para quem quisesse deixar de ser homossexual. Agora, Isidorio pode liderar uma frente conservadora na ALBA. Resta saber se os aliados da campanha vão sair para a queda de braço e terão força para garantir avanços.


Rafael Myranda
Grupo Contra o Preconceito

1 comentários:

Rafael Myranda apoia Dilma(13)
nesse segundo turno...

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